A fazenda indoor de cinco andares da Greenphyto, avaliada em €80 milhões e localizada em Jurong West, Singapura, equipada com inteligência artificial e automação, visa revolucionar a produção sustentável de alimentos em áreas urbanas em meio à turbulência do setor e aos altos custos.
Torres hidropônicas reluzentes, com mais de 23 metros de altura, agora pontuam o horizonte industrial de Jurong West, após a inauguração oficial, em janeiro, daquela que seu desenvolvedor chama de a fazenda vertical interna mais alta do mundo.
O complexo de cinco andares da Greenphyto, avaliado em S$ 80 milhões, ocupa cerca de 2 hectares e abriga cinco câmaras de cultivo automatizadas, cada uma com duas torres gêmeas de 118 metros de comprimento e 23.3 metros de altura, repletas de mais de 500 prateleiras. A instalação é totalmente automatizada, alimentada por inteligência artificial e robôs de produção, e, em plena capacidade, é capaz de produzir cerca de 2,000 toneladas de hortaliças folhosas por ano; a produção atual é de aproximadamente 200 toneladas. O presidente Tharman Shanmugaratnam compareceu à inauguração, segundo a reportagem.
A fundadora da Greenphyto, Susan Chong, disse ao The Straits Times que o projeto é a culminação de uma visão de 14 anos. “(O fechamento de fazendas) me deixou ainda mais determinada a fazer acontecer e fazer de forma diferente, aprendendo com os problemas enfrentados por outras fazendas, identificando o que não está funcionando e garantindo que estejamos bem preparados”, afirmou. Ela acrescentou que a tecnologia deve servir ao produto final: “As fazendas nos EUA, por exemplo, são muito focadas na tecnologia. No fim das contas, o produto é o que importa. Se você não tem produtos de boa qualidade, de que adianta a tecnologia?”
Consumidores do varejo podem já ter se deparado com os produtos da Greenphyto: a empresa vende couve-chinesa e diversas variedades de alface sob a marca Hydrogreens e, desde o início de 2025, seus produtos estão disponíveis em cerca de 95 lojas, incluindo FairPrice, Sheng Siong e a rede de supermercados japonesa Meidi-Ya, de acordo com diversas reportagens. Um pacote de 200g de couve-chinesa foi vendido por S$ 3.95 e um pacote de 100g de alface, por S$ 3.20.
A fazenda combina diversas fontes de receita. Além das vendas no varejo, a Greenphyto comercializa seu inovador sistema de cultivo internacionalmente por meio de escritórios na Malásia e na Holanda, e planeja monetizar o chamado sistema nervoso da fazenda, uma plataforma de IA que monitora a saúde das plantações, as taxas de germinação e as previsões de produção, como um serviço. A empresa planeja criar uma spin-off tecnológica, a Arber.ai, para fornecer consultoria e serviços de adoção digital para outras fazendas e PMEs, afirmou a Greenphyto.
A Greenphyto prioriza a inovação e a eficiência. A empresa detém 69 patentes relacionadas à otimização de cultivos e à redução de custos, e reduziu seu consumo de energia em cerca de 30% por meio de pesquisa e colaboração com fornecedores. Uma das medidas envolveu a iluminação LED personalizada, que pode ser ajustada de acordo com a cultura e o estágio de crescimento, em vez de iluminar todas as prateleiras uniformemente. A fazenda também opera com base em produção sob encomenda para reduzir o desperdício, atendendo aos pedidos somente após os varejistas confirmarem as compras, segundo os relatórios.
A automação cuida da maioria das tarefas dentro das câmaras; apenas a colheita requer mão de obra humana para garantir uma embalagem adequada. Um robô roxo, semelhante a um guindaste, se move entre duas torres gêmeas para posicionar as bandejas de mudas e monitorar as plantações, enquanto alertas diários por e-mail da plataforma de IA sinalizam problemas como folhas amareladas e sugerem possíveis causas, de acordo com Liow Wei Quan, diretor digital da Greenphyto. O trabalho de IA da fazenda recebeu apoio do Programa de Líderes Digitais da Autoridade de Desenvolvimento de Mídia e Infocomunicações (IMDA), que ajudou a empresa a contratar engenheiros de dados e desenvolvedores de software, informou o The Straits Times. O Fundo de Transformação do Cluster Agroalimentar da Agência de Alimentos de Singapura também apoiou o projeto.
O lançamento ocorreu em um contexto de turbulência no setor de agricultura vertical em Singapura. A cobertura da indústria e reportagens locais destacam diversas dificuldades enfrentadas por fazendas verticais de alta tecnologia nos últimos anos, incluindo fechamentos, projetos abandonados e cautela por parte dos investidores. O Straits Times e outros veículos citaram exemplos como a Growy Singapore entrando em liquidação, a VertiVegies engavetando seus planos e o IFFI fechando uma grande unidade. Analistas e operadores apontaram os altos custos de capital e energia, os choques na cadeia de suprimentos causados pela pandemia e o declínio do interesse dos investidores como fatores contribuintes. O governo de Singapura também revisou sua meta anterior de autossuficiência alimentar doméstica "30 por 30", substituindo-a por novas metas focadas na produção de fibras e proteínas até 2035, o que alterou o cenário político para os produtores locais de hortaliças.
A Greenphyto afirma ter buscado aprender com esses contratempos do setor. A empresa enfatiza que a combinação de agronomia com tecnologia adaptável, parcerias sólidas com varejistas e múltiplas vias comerciais, como a venda de equipamentos e serviços de inteligência artificial, além de produtos frescos, sustentará seu modelo de negócios. Comentários do setor, registrados pelo Business Times e por veículos especializados, destacam que o equilíbrio entre sofisticação tecnológica, controle de custos e qualidade do produto é fundamental para que as fazendas verticais alcancem margens sustentáveis.
À medida que a Greenphyto cresce, sua capacidade de converter inovações patenteadas e insights de IA em receita recorrente fora de suas instalações será acompanhada de perto por investidores e concorrentes. A inauguração da fazenda, e sua reivindicação de ser a operação vertical indoor mais alta do mundo, representa tanto um exemplo concreto de agricultura urbana avançada quanto um teste para verificar se a agricultura indoor de alta tecnologia pode superar os obstáculos financeiros e operacionais que desafiam o setor.




